sexta-feira, 1 de maio de 2015

DOMÍNIO GRAMATICAL

DOMÍNIO GRAMATICAL

FONTE DA IMAGEM: www.ipccursos.com.br


    Neste texto  direcionamos nosso olhar para os estudos sobre as melhores metodologias para o ensino da gramática. Aqui procurei trazer breves e importantes esclarecimentos sobre a necessidade de se ensinar a gramática em salas de aula, porém sempre buscando iniciar as atividades em situações contextualizadas através dos textos. Uma reflexão pertinente que trago aqui se refere às questões: Que gramática ensinar e como ensinar? Este texto pretende resumir minhas inferências e compreensões da proposta  didática direcionada ao estudo da gramática em sala de aula.
   O domínio gramatical constitui uma das competências comunicativas ao lado da competência sociolinguística e estratégica. É imperativo à escola assumir seu papel de agente propiciador do domínio da gramática já que essa constitui a estrutura funcional básica da língua e mesmo diante das muitas variações às quais está sujeita a língua portuguesa, não se permite flexões que possam comprometer a comunicação. O ensino da gramática deve pautar-se pela relevância, funcionalidade, contextualização e outros aspectos que em sua raiz suscitem o interesse e utilidade da gramática para uso da língua evitando portanto o ensino da gramática pela gramática.
   Para concretizar essa propostas, sugiro atividades que em comum reúnam os seguintes aspectos:

           * Trabalho a partir do texto. O texto será sempre o eixo significante a partir do qual se extraem as reflexões a respeito do que se quer ensinar e aprender em gramática.

     * Discussão de aspectos gramaticais priorizando a demonstração de sua utilidade para compreensão do texto. A gramática deve servir à compreensão do texto e nunca o contrário.

        * Abordagem de classificação e funções sintáticas sem uso de nomenclaturas, reservando esta abordagem para níveis mais maduros.


      Podemos inferir portanto que a escola não pode prescindir do ensino gramatical, mas que deve pautar sua prática docente priorizando o uso da língua em detrimento de um ensino tradicional, prescritivo e descontextualizado.

TEXTO, GÊNERO E DISCURSO

TEXTO, GÊNERO E DISCURSO: DEFINIÇÕES
FONTE DA IMAGEM: pt.wiktionary.org

* Texto: Unidade material discursiva e que apresenta potenciais de sentidos. Os sentidos do texto não lhe intrínsecos, pelo menos não em relação exclusiva à sua materialidade, mas seus sentidos revelam-se nos contextos em que são produzidos e nos contextos em que são socializados. O texto em sua materialidade é uma sequência de períodos organizados hierarquicamente que carregam em seu conjunto coeso e coerente as intenções de quem os produz e que destinam-se àqueles que com ele mantém contato. Tais elementos (coesão e coerência) determinam seu aspecto cognoscível e portanto sua função comunicativa.

* Gêneros: Os gêneros constituem formas prontas, receptáculos textuais que apresentam similaridades estruturais e que destinam-se adequadamente à veicular tipos específicos de comunicações escritas. Os gêneros, assim como os textos são determinados historicamente e socialmente.

* Discurso: O discurso manifesta-se nos textos e estes materializam-se em gêneros ideais para as intenções discursivas. É o discurso que traz sentidos aos texto. Sem o discurso, que é a manifestação histórica, social e ideológica que materializa-se no texto, este não adquire sentido. No ensino da língua, e particularmente com os gêneros, é preciso transpor a mera materialidade do texto e as similaridades dos gêneros, evocando ao texto sua função social, sua relevância, suas intenções comunicativas, ressaltando portanto aquilo que lhe traz sentido, significação e contextualização: o discurso.

AVALIAÇÃO E SUAS MODALIDADES

AVALIAÇÃO - MODALIDADES

FONTE DA IMAGEM: thiagopcnphist.blogspot.com
    
    É relevante manter sempre alerta o fato de que toda avaliação deve estar alinhada aos objetivos gerais propostos no planejamento, aliás uma boa avaliação é dependente de um bom planejamento. Parece fácil pensar assim, mas como a avaliação tende a ser tradicionalmente (e erroneamente) entendida como uma fase final do processo ensino-aprendizagem, haverá o risco de esquecer o que se fixou como meta no início do trabalho e avaliar apenas parte do desempenho do aluno, deixando de lado fatores cognitivos que precisam ser trabalhados. A avaliação deve ser realizada de forma continua, verificando avanços e dificuldades diárias que ocorrem com o aluno. O módulo apresenta três tipos de avaliação que tornam possível aplicar a avaliação processual. Abaixo segue pequeno resumo e comentários sobre os mesmos:

*   Avaliação diagnóstica: Sondagem inicial das habilidades dos alunos. Sempre realizo este tipo de diagnóstico em minha prática. Como trabalho língua materna no quarto ano de escola pública, ocasionalmente recebo alunos em estágios iniciais de alfabetização. Falha que não deveria ocorrer pois a alfabetização (esta entendida apenas enquanto leitura decodificadora com inicial compreensão e escrita em nível alfabético) deve estar concluída até o terceiro ano. Já acostumado com essas ocorrências realizo com os alunos o teste de Emília Ferreiro. Se não fizer isso o trabalho desorganiza-se em todos os outros aspectos do ensino. Podemos afirmar que a avaliação diagnóstica é diretamente relacionada ao comportamento de ordem cognitiva, sócio emocional e psicomotora do estudante. é necessário portanto estabelecer uma conversa inicial com os alunos sobre o que gostam de fazer, como vivem e não apenas direcionar esta primeira etapa avaliativa apenas para aspectos cognitivos.
*   Avaliação formativa: Avaliação que melhor concretiza o ato de avaliar o aluno durante o processo. Trata-se de avaliar constantemente, dia a dia e a partir dessas análises corrigir erros, reforçar aprendizagens e estabelecer avanços com mais precisão. As formativas podem ser realizadas com mini-provas, questões dissertativas, debates e uma ampla gama de métodos que permitirão ao professor obter um retrato mais claro do desempenho de seus alunos, além do fato de não sobrecarregar a avaliação final.

*   Avaliação somativa: Última avaliação de uma etapa definida pelo professor ou pelo cronograma escolar. Segundo o módulo deve ser realizada com instrumento de medição mais preciso como uma prova objetiva. Acredito ser viável sondar o máximo de conhecimentos possíveis, sem contudo atribuir-lhe o maior peso na montagem da nota, já que compreendo como mais longa e variada a avaliação formativa, pois pode ser aplicada durante todo período considerado para aquisição de conhecimentos específicos. A somativa inevitavelmente traz consigo fatores negativos que acabam por reduzir a qualidade do desempenho do aluno como estresse ou esquecimento momentâneo do que se estudou, o famoso "brancão". Ainda assim sua importância não pode ser diminuída pois constitui-se num fechamento de ciclo necessário para verificar a capacidade de avanço do aluno para outros níveis mais avançados de aprendizagem.

    Os modelos de provas também constituem aspecto importante tratado no módulo. As provas objetivas e subjetivas constituem mecanismos de sondagem específicos para cada avaliação. Segundo o módulo, as provas objetivas melhor destinam-se às turmas numerosas e as subjetivas às turmas menores numericamente. Em minha opinião acredito que é viável realizar a sondagem inicial com uma prova subjetiva, independente do número de alunos. Nessa prática, com a solicitação de um pequeno texto, quem sabe sobre aspectos de sua vida pessoal, o professor possa obter do aluno o conhecimento cognitivo e sua vivência fora da escola. Acho que a avaliação somativa pode ser uma mistura das duas metodologias com questões objetivas em sua maioria e uma questão final subjetiva. As formativas devem ser rápidas pois encontram-se no meio do processo, para estas acredito que a melhor forma seja com as provas objetivas.

   

OS PCN's E O ENSINO DE LÍNGUA MATERNA

O ensino da língua materna segundo os PCN's
FONTE DA IMAGEM: www.app.pt


   Ao fazer a leitura dos PCN's consegui identificar com clareza a semelhança da proposta epistemológica com a qual tenho tido contato durante minha formação na FGF, no curso de licenciatura plena em português e suas literaturas. O texto traz de forma profunda as implicações oriundas de um novo e necessário olhar sobre o ensino da língua portuguesa. Todos os conceitos vistos até agora, bem como a recorrente ideia de consideração a respeito das variações linguísticas enquanto fenômenos de interação social, que de longe ultrapassam as amarras da normatividade observada como predominante no ensino até a década de 80, foram e continuam sendo sistematicamente discutidos nos fóruns e atividades propostas como avaliação. Esse fato deve ser ressaltado pois traz alívio ao saber que estou recebendo formação "antenada" com o mais atual e oficial referente para o ensino da língua materna: os PCN's.
    O texto inicia trazendo com um breve histórico sobre o fracasso escolar e o que tem sido apontado como causa desse fracasso: Excessivo referencial na norma culta enquanto modelo ideal de eficiência linguística; atividades descontextualizadas; ensino gramatical não embasado nos textos socialmente construídos; desprezo pela manifestação oral da língua entre outros. Estas ações foram perdendo crédito na medida em que se observava os índices crescentes de repetência e ineficácia no uso da língua, fato não trazido no corpo do documento, mas amplamente divulgado e disponível nos exames de avaliação.
   A partir dos anos 80, várias influências e inovações pedagógicas criaram o ambiente favorável às reformulações do ensino em vários países, inclusive no Brasil. Estas reformas buscavam atingir objetivos comuns e priorizavam a adaptação do indivíduo na nova sociedade que emergia: A sociedade do conhecimento. A psicolinguística, a sociolinguística, a análise do discurso, foram algumas das teorias que deram a base científica necessária às reformas no ensino da língua portuguesa. Tais reformulações incidiram sobre outros temas até então carentes de discussão tais como: Preconceito linguístico, necessidade de contextualização do ensino, inserção dos textos socialmente construídos na sala de aula, metalinguagem a partir e para o texto, inserção da oralidade como habilidade a se trabalhar no ensino da língua, concepção da linguagem como fato e finalidade social e de inserção no mundo do trabalho.
   Diante da profundidade do documento, de sua ampla intertextualidade e múltiplas referências conceituais, pode-se esboçar um pequeno resumo de suas orientações  da seguinte forma:

* O ensino da língua hoje visa a eficaz inserção e participação na vida social,
* Os conteúdos e metodologias só tem validade se construídos e dotados de finalidade social,
* A oralidade é fator de peso na aprendizagem da língua, pois é através dela que o falante se expressa com maior frequência,
* A norma culta é apenas mais uma variação linguística, não traduzindo nem servindo como modelo exclusivo da língua. (Contudo ainda é a variação de maior prestígio e utilizada nos meios acadêmicos)
* O professor é mediador no processo ensino-aprendizagem e deve pautar sua prática docente pela mediação e interação comunicativa,
* Deve-se combater o preconceito linguístico através da inserção das variações linguísticas em sala de aula.

ABORDAGEM TRADICIONAL E SOCIOINTERNACIONAL - QUADRO COMPARATIVO

ABORDAGEM TRADICIONAL E SOCIOINTERNACIONAL - QUADRO COMPARATIVO
FONTE DA IMAGEM: giovannic70.blogspot.com
                                           
  
Abordagem tradicional de ensino da língua
  
  
Abordagem sociointeracionista de ensino   da língua
  
  
CONCEPÇÃO FORMAL, ESTRUTURAL E ESTÁTICA DA LÍNGUA E DO ENSINO
  
  CONCEPÇÃO SOCIAL, CONTEXTUALIZADA E FLEXÍVEL DA LÍNGUA E DO ENSINO
 
  
  
APRENDIZAGEM PAUTADA NO PRINCÍPIO DA TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO
  
  APRENDIZAGEM PAUTADA NO PRINCÍPIO DE INTERAÇÃO DOS SUJEITOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM
 
  
  
ALUNO COMO SUJEITO PASSIVO
  
  
ALUNO COMO SUJEITO ATIVO
  
  
PROFESSOR COMO FONTE DO SABER
  
  
PROFESSOR COMO FACILITADOR DA APRENDIZAGEM
  
  
PREDOMÍNIO DA NORMA CULTA
  
  
PREDOMÍNIO DAS SITUAÇÕES INTERACIONAIS COMO ELEMENTO SUSCITADOR DA LINGUAGEM ADEQUADA
  
  
PREDOMÍNIO DA AVALIAÇÃO QUANTITATIVA
  
  
PREDOMÍNIO DA AVALIAÇÃO PROCESSUAL E QUALITATIVA
  
  
 
APRENDIZAGEM POR ETAPAS DEFINIDAS E ESTANQUES  DETERMINADAS NOS PROGRAMAS DE ENSINO
APRENDIZAGEM A PARTIR DO ESTÍMULO À ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL 
 
  

COMO TRABALHAR A ORALIDADE EM SALA DE AULA - SUGESTÕES

COMO TRABALHAR A ORALIDADE EM SALA DE AULA - SUGESTÕES

FONTE DA IMAGEM: maximaformacao.com.br

  * Leitura oral: Boa ferramenta para desenvolver habilidades na língua falada, porém de forma automatizada, ou seja, o processo de oralidade neste caso visa o domínio da língua escrita em sua forma discursiva. Envolve a habilidade específica de leitura oral e articulação explicita das palavras. É uma ótima estratégia dentro de suas possibilidades, mas por ser muito externalizada, no sentido de ler para ser ouvido, naturalmente não consegue contemplar a reflexão sobre o que se lê. Esse tipo de leitura costumo realizar da seguinte forma: Ativo os esquemas de forma dialogada; estabeleço contato visual com o texto e as figuras; solicito a leitura do título (ou títulos); solicito leitura silenciosa; realizo leitura exemplar e depois compartilhada, só no fim é que parto para leitura individual. Se o texto for grande faço por parágrafos.

    * Relato de fatos/comentários: Os resumos orais e recontos são boas estratégias que se inserem neste grupo metodológico de trabalho com a língua falada. Após ler uma narrativa extensa sempre faço perguntas como: "fulano, o que você entendeu sobre o texto?" É uma maneira simples de fazer com que falem através de uma organização do pensamento já que não é possível tecer comentários sobre uma leitura fugindo completamente do que foi lido. Outra forma produtiva acontece ao trabalhamos com gráficos. O ato de explicar o entendimento da representação simbólica das imagens é uma ótima forma de estimulá-los a falar de forma organizada. Os recontos também são muito bons pois além de forçar sua criatividade, necessariamente os faz colocarem-se na situação de oralidade pois será necessário e curioso ouvir a nova forma assumida pelo conto.

     * Perguntas e respostas: Esta talvez seja a técnica mais utilizada em sala de aula e nem sempre de forma intencional, contudo se assumir o papel de sondar o entendimento e, além disso, trabalhar a oralidade torna-se uma ação mais eficaz. As perguntas não devem limitar-se a respostas do tipo "sim" ou "não", mas isso dependerá da habilidade do professor em criar situações didáticas que favoreçam a reflexão por parte do aluno. Os "porquês" do professor ao final de primeiras respostas são mecanismos simples de estímulo ao ato de usar a oralidade para explicar, contrapor-se ou concordar.
 
     * Jogral, coro falado e dramatização: Apesar de estarem no mesmo grupo as três possibilidades (Assim penso) precisam ser adequadas a cada nível etário. Esta não é uma opinião "fechada", mas acredito que o jogral e o coro falado possam ser melhor aplicados aos níveis de fundamental 1 até o sexto e sétimo anos do fundamental 2. Por trabalharem a oralidade de forma menos individualizada (A execução é em grupo homogêneo), O jogral e o coro falado podem ser melhor aplicados com os mais novos nos níveis que já indiquei. O teatro, por exigir maior nível de organização e devido a execução ser mais individualizada (cada personagem com sua situação específica de oralidade) pode ser melhor desempenhado com alunos do 8º e 9º e nível médio. O teatro exige estudo prévio e suscita, dependendo da peça, um aprofundamento sobre a trama, personagens, contexto histórico. Cada situação pode ser aproveitada antes ou depois da peça em situações didáticas de oralidade. Em meu entendimento vejo o jogral e o coro falado como adequados para desenvolver a leitura em público e a desenvoltura da pronúncia das palavras.

LÍNGUA E LINGUAGEM

Língua e linguagem - definições
FONTE DA IMAGEM: 

   Língua e linguagem, são palavras muito semelhantes e é muito fácil cair no erro de defini-las da mesma forma. Na verdade seus conceitos referem-se a um ponto comum que é a capacidade que temos de nos comunicar e de assimilar as idéias criadas pela humanidade, ou seja, usamos língua e linguagem quando nos comunicamos e quando internalizamos o mundo. Este pequeno texto pretende trazer definições que diferenciem língua e linguagem sem contudo desconsiderar o vínculo que há entre elas.
    A linguagem refere-se a um conceito mais amplo que remete à nossa capacidade de estabelecer comunicação de diversas formas, desde a palavra, conceito mais complexo de comunicação, até pequenos gestos, como um piscar de olhos ou um simples choro de criança. Para que haja linguagem é necessário uma intencionalidade e no mínimo dois indivíduos. Cabe ainda se destacar a eficácia do código escolhido na comunicação, pois se não for de domínio dos que estão interagindo não haverá comunicação, e portanto também não haverá linguagem. Se  a linguagem não se destina à transmissão de uma ideia ou conceito e não acontece no mínimo entre dois seres, não se pode falar em linguagem.

    A língua faz parte da linguagem. É um sistema de signos com valor relativo onde cada um se reveste de um conceito (significado) e uma imagem acústica (significante). Assim estruturada a língua materializa nossa capacidade de comunicação oral e escrita. A língua é um produto histórico e social e portanto está sujeita às variações próprias de uma sociedade em evolução. Mesmo sendo uma criação social que reflete o alto grau de abstração e organização do pensamento humano, a língua não pode se confundir com a linguagem pois ela apenas integra parte de nossa capacidade de comunicar as idéias. Esta capacidade não se manifesta apenas na língua, mas também, nos gestos, na dança, no olhar, nas pinturas, ícones, símbolos, ou seja, por diversos outros mecanismos, dentre os quais a língua se insere.

DEFINIÇÕES DE GRAMÁTICA

Classificações gramaticais segundo Possenti (2002). 

FONTE DA IMAGEM: leituraunivesp.wordpress.com


   As definições de gramática de acordo com Possenti são:

          * Gramática normativa: Gramática socialmente reconhecida e definida como o domínio da norma culta ou dialeto  padrão da língua portuguesa. É a concepção de língua mais presente nos livros didáticos. É prescritiva e descontextualizada. Baseia-se no ensino a partir de regras que ao serem desconsideradas configuram o erro gramatical. Por ser uma variação linguística presente nas classes dominantes torna-se um mecanismo de exclusão social. A gramática normativa materializa o que deve ser seguido no uso da língua.

            * Gramática descritiva: Gramática mais adequada para gerar nos alunos as habilidades de uso da língua em diversos contextos e de domínio dos vários gêneros textuais. Não concebe o erro da mesma forma que na gramática normativa, pois considera que as variações não podem referenciar-se em um modelo estático e descontextualizado, mas em fatores geográficos, sociais ou ainda de gênero. Para a gramática descritiva o erro deve ser considerado dentro da própria variação, pois é no interior da mesma que as regras são geradas de acordo com o uso que se faz da língua.  Para esse tipo de gramática o que importa é a adequação à situação comunicativa. O importante é o uso linguístico suscitado pelo contexto.

                * Gramática internalizada: O conceito de gramática internalizada claramente se identifica com o conceito de Chomsky e sua teoria quanto à gramática gerativa. A gramática internalizada constitui-se em habilidades inatas que nos tornam capazes de assimilar conceitos linguísticos gerando em nós a habilidade de comunicar-se eficazmente quando em contato com uma comunidade assimilando os parâmetros de funcionamento e construções sintático-semânticas de um meio  social. Configura aquilo que o falante domina. 

ORALIDADE E LETRAMENTO

ORALIDADE E LETRAMENTO   

FONTE DA IMAGEM: linguapost.blogspot.com

        Este texto busca dar subsídios para compreensão de conceitos linguísticos a professores em formação que atuarão no ensino de língua portuguesa na educação básica. Trata de questões referentes aos termos: oralidade e letramento. Objetivando ainda proporcionar a elaboração de avaliações e atividades  que ajudem os alunos a avançar em seu processo de domínio da leitura e escrita.
            A oralidade é uma habilidade por vezes desvalorizada em sala de aula. A fala do aluno muitas vezes é estigmatizada como o lugar do erro ou da indisciplina. Por conta desse desprezo a escola tem falhado em formar bons oradores capazes de utilizar a linguagem oral como ferramenta de inserção e ascensão social. Parte desse erro advém da confusão que se faz entre oralidade e fala. Esta é a manifestação individual e ocasional que o falante faz da língua sem ter necessariamente que obedecer a nenhum padrão imposto pela sociedade ou pela norma culta, embora não se admita com isso que a fala seja o lugar do erro, mas apenas que nesta manifestação o falante usa o código de maneira mais livre e desimpedida. A oralidade, ao contrário, obedece a certos parâmetros, que mesmo não tão rígidos quanto os da escrita, dão a esta manifestação comunicativa, caracteres próprios que se manifestam em ambientes próprios e em situações específicas de apresentação. A oralidade assim entendida pode ser compreendida como gêneros de oralidade que se manifestam nas situações cotidianas e que podem ser materializados como: Discursos, apresentação de trabalhos, palestras, telejornais, entrevistas, etc. Em todas essas manifestações percebemos modos, palavras, sequências e linguajares que terminam por identificar essas “falas” como gêneros orais específicos.
            O letramento refere-se a níveis diferenciados de domínio da língua escrita. Por admitir essa variação podemos encontrar uma classificação dos escritores de acordo com a habilidade que este possui na produção dos diversos gêneros de escrita. Quanto maior a variedade de gêneros produzidos corretamente, bem como a participação deste escritor nos diversos meios sociais através dos gêneros escritos, maior será sua aproximação do conceito de letrado.

            De posse destas definições caberá ao professor criar situações didáticas que favoreçam o aluno no sentido de atingir o melhor nível possível de oralidade e letramento. O trabalho não será desarticulado pois é possível unir em uma única atividade a obtenção desses objetivos. Contatos com textos orais, transcrição desses textos, adaptações da língua falada à escrita e contato constante com textos orais e escritos poderão ajudar bastante nesse sentido.

RELAÇÃO SINTAGMÁTICA E PARADIGMÁTICA EM SAUSSURE

RELAÇÃO SINTAGMÁTICA E PARADIGMÁTICA EM SAUSSURE


 
   O eixo horizontal constitui o que se denomina eixo sintagmático. Este eixo materializa a sequência combinatória escolhida escolhida pelo falante no ato comunicativo. Esse eixo obedece ao principio da linearidade e realiza-se a nível de fonemas, morfemas e sintaxe.

   O eixo vertical (Eixo paradigmático) constitui as possibilidades de que dispõe o falante ao realizar o ato comunicativo. Os signos ficam agrupados na memória organizando-se a partir de características comuns obedecendo a classificações morfológicas.

  

DEFINIÇÕES EM LINGUÍSTICA

LINGUÍSTICA - TERMOS DEFINIDOS
FONTE DA IMAGEM: es.slideshare.net

1-Quando e quem publicou o livro “Curso de linguística geral”?

Charles Bally e Albert Sechehaye publicaram o livro “Curso de linguística geral” em 1916. A obra é baseada nas anotações feitas durante os cursos de linguística ministrados por Saussure.

2-O que é semiologia?

         A semiologia é a ciência que estuda os signos. Também denominada de Semiótica por Charles Pierce.

3-Como é possível caracterizar o signo?

         O signo pode ser retratado como uma moeda. Em um lado carrega o significante, imagem acústica da ideia e de outro o significado, a ideia ou conceito.

4-O que é o significante e o significado?

         Significante é a imagem acústica ou psíquica da palavra. Significado é o conceito propriamente dito ao qual se refere o significante.

5-Quais são as dicotomias de Saussure?

         As dicotomias de Saussure são quatro: Língua e fala; sintagma e paradigma; sincronia; diacronia e significado e significante.

6-Explique a dicotomia diacronia x sincronia.

         A diacronia é o estudo das mudanças históricas sofridas pela língua. Constitui o eixo das sucessividades. A sincronia é o estudo da língua num dado momento do tempo. Busca conhecer as relações entre os signos de forma sincrônica. Trata-se de uma pesquisa descritiva que busca conhecer o funcionamento da língua. Constitui o eixo das simultaneidades.

7- Por que Saussure compara a língua ao exemplo do jogo de xadrez?

         Por que em um jogo de xadrez cada peça possui um valor relativo. Cada peça possui seu valor a partir da posição que ocupa no tabuleiro. Da mesma forma, na língua, cada signo só possui seu valor a partir da oposição aos demais elementos. Este conceito nos leva a outros dois conceitos: Linearidade e arbitrariedade.

8- O que significa a linearidade e arbitrariedade do signo?

         A linearidade constitui uma regra a qual a compreensão linguística está intimamente atrelada. A linearidade pressupõe que os signos devem ser enunciados de forma linear nos seus diversos níveis (Fonêmicos,  morfêmicos e sintáticos). Se tal principio não for obedecido a comunicação será prejudicada.
         A arbitrariedade é o conceito que explica o fato de não haver uma relação de similaridade entre significado e significante na maioria dos signos da linguagem.

9- Como o vídeo explica o princípio de valor?

         O principio do valor refere-se à posição e função ocupadas por cada signo dentro da língua. É essa função e posição que dão ao signo seu valor. Esse princípio nos leva a compreender que o valor de um signo é relacional, ou seja, seu valor não lhe é intrínseco, mas condicionado à relação que o mesmo possui com os outros.

Resistir, lutar.

Fonte da imagem: <https://www.facebook.com/suprema.maracanau/photos/a.1463506987194198.1073741828.1462061097338787/1954837454727813/?t...