segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Kant, razão e educação - Breve reflexão crítica

fonte da imagem: <https://cdn.pensador.com/img/frase/im/ma/immanuel_kant_o_homem_nao_e_nada_alem_daquilo_que_a_edu_2j8gpx.jpg?1467493248>

            Este texto apresenta as reflexões oriundas da apreciação do vídeo: Ser ou não ser – Kant; da leitura do artigo: A Filosofia da Educação Kantiana: Educar para a Liberdade - Alonso Bezerra de Carvalho; e do filme “Entre os muros da escola”. Além das reflexões propostas o texto também objetiva apresentar conclusão da Atividade Estruturada referente à disciplina Filosofia da Educação, disciplina ministrada pela professora Mônica da Silva Paranhos no curso Letras-inglês na Faculdade Estácio de Sá. 
            O vídeo apresenta de forma sintética a concepção de Kant a respeito da nossa capacidade de conhecer. Através de uma comparação com as lentes do fotógrafo Custódio Coimbra o vídeo mostra que a pretensão de se querer saber tudo não é realizável, dado que nossa percepção, construída através de nossas experiências, nos dá apenas um recorte da realidade, tal como as fotos do referido fotógrafo.
            O texto do artigo mostra a concepção kantiana da educação ancorada no que marcou grande parte de sua filosofia: a razão. Ao ler o texto, percebe-se que não há uma apresentação específica do processo educativo do ato de ensinar ou de aprender, mas uma filosofia da educação visto que sua reflexão preocupa-se muito mais com os fins da educação que com seu processo de realização, o que por sua vez, a caracteriza muito mais como uma reflexão teleológica da educação. O texto mostra o complexo jogo entre conhecer e obedecer concebendo a liberdade limitada como único meio de se atingir a plena liberdade. O Estado, através da educação moral, molda o homem para conciliar seus desejos à plena construção de sua autonomia, condição somente atingida através de uma inicial heteronomia.
            Interessante notar que para Kant, o Estado Absolutista Esclarecido exprime o que há de mais próximo da sociedade justa, composta por sujeitos equilibrados e racionais. Como homem de seu tempo, Kant via no Déspota Esclarecido o referencial ao qual os sujeitos deveriam alinhar-se em pensamento e atitudes. Trata-se de uma visão idealizada que deixa de lado a questão das limitações próprias de todo ser em conhecer a realidade. Se o Estado Absolutista tem em seu representante sua expressão máxima, como conceber que sua visão de mundo, que é limitada segundo o próprio Kant, possa apresentar-se como ideal a ser seguido. Aprofundando mais ainda a reflexão pode-se questionar: Como deixar de considerar que na verdade o Estado é uma instituição historicamente construída e que necessariamente expressa os valores de uma determinada classe? A que classe pertence o poder?
            A razão kantiana e sua percepção da realidade enquanto parte de um todo, são fundamentais para a educação, pois pressupõem uma escola e um docente capazes de perceberem que as “verdades” propagadas pela escola são limitadas e pertencem a um recorte da realidade. Diante dessa limitação espera-se que nem a escola, nem o professor reconheçam-se como detentores do saber. Espera-se também que o próprio saber, na medida das possibilidades, seja construído por professores e alunos.

            O que se vê na realidade é um jogo de resistências em que a educação formal posiciona-se de forma autoritária e determina os saberes que devem ou não ter valor na construção social. A escola é parte de uma estrutura maior que condiciona o que deve ou não ser aprendido e ensinado. Tal embate não acontece sem resistência. A criticidade, marca característica dos cursos de formação docente, ainda é presente nos professores e professoras recém-formados, contudo a instituição geradora dessa mão de obra intelectualizada também é a mesma que mantém em seus quadros de formação uma  rigidez e padronização que não contribui na inovação de pesquisas bem como acaba afastando a produção acadêmica da realidade da escola básica. A universidade, sobre formação docente, produz, mas também reproduz ideologias e estagna a inovação do pensamento pedagógico. 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Resistir, lutar.

Fonte da imagem: <https://www.facebook.com/suprema.maracanau/photos/a.1463506987194198.1073741828.1462061097338787/1954837454727813/?type=3&theater>

Em vez de quatro paredes,
Os limites infinitos do vento.

Em vez de lousas e pinceis,
O público, as falas e microfones.

Em vez de alunos,
Uma população atenta e curiosa.

Luta, esperança e resistência,
Palavras difíceis de falar e de viver.

Qual exército de Leônidas,
Professores e professoras
Enfrentam lacaios e tiranos.

No horizonte de incertezas,
Sem olhar a tormenta ao redor
Caminham em águas tempestuosas.

Miram nada menos que a vitória
Sabem que o prêmio da conquista

É posse dos que sabem sonhar e acreditar.

Jorge Luiz 19/10/2017

A palavra não dita


Fonte da imagem:<http://www.imagick.com.br/?p=12561>


A palavra não foi dita
Não expressou o sentimento
Não externou a opinião
Não se fez conhecer.

No turbilhão das ideias
Misturou-se às outras
Fez-se sílaba
Fonema, letra morta.

No derradeiro suspiro
Encontrou acolhida.

Poesia, me aceitas?
Em tuas estrofes e versos
Tornarei a viver.

Jorge Luiz
19/10/2017

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O OLHO MÁGICO
Resultado de imagem para FOTOS LIXÃO
Fonte da imagem: http://oglobo.globo.com/brasil/lixao-da-estrutural-17981833
     Ainda estava escuro quando Pedro acordou. Sua mãe e a pequena irmã já estavam de pé. Comiam algumas bolachas secas encontradas no dia anterior. Ele sentou, esfregou os olhos e pôs-se a orar. Em geral fazia esse ritual sem prestar muita atenção ao que dizia. Quase já não havia mais fé em seu coração. Quando se tem apenas oito anos, vivendo em um grande e fétido aterro, é difícil manter a fé. Mesmo assim gostava de rezar o pai nosso que o falecido pai lhe ensinara. De alguma forma a presença do amigo podia ser sentida nesta pequena parte da manhã. "Toma café, come a bulacha e vem, o caminhão já já chega". Ele atendeu à ordem da mãe e enquanto tomava café contemplava o dia pela janela embaçada do barraco. No horizonte as imensas montanhas de lixo em cujos cimos sobrevoavam dezenas de urubus.
    De botas e luvas improvisadas Pedro apanhou seu saco e partiu para o encontro com o primeiro caminhão do dia. O sol já mostrava sua força dourando a fina pele do menino, esquentando sua cabeça e iluminando um cenário apocalíptico. Ao seu lado juntavam-se outros meninos, meninas, mulheres e homens, todos vestidos com grossos farrapos e botas que buscavam dar-lhes alguma proteção, mas que na verdade lhes emprestavam a aparência de um exército cabisbaixo e cansado.
     Quando o caminhão chegou, seres humanos, pássaros, roedores e cães vira-latas juntaram-se na busca frenética de encontrar algo de valor e, com sorte, o que pudesse servir de comida. "Olha mãe, o que é isso?". A mulher tomou das mãos da pequena menina um objeto metálico. Observou-o e jogou fora. "Um olho mágico, besteira. Procura comida, anda!". De todas as palavras que Pedro ouviu somente duas se fixaram em sua memória: olho mágico. Como poderia ser? Isso existe mesmo? O garoto apanhou o objeto e após manipulá-lo sem saber direito como usar, colocou-o no olho direito e mirou o horizonte. 
     O olho o transportou para uma praia não muito longe dali. Em vez de urubus, lindas gaivotas. As montanhas não eram de lixo, mas lisas e de um bege reluzente e o mesmo sol que agora queimava sua pele iluminava o mais azul dos mares. O olho era realmente mágico.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Interpretação textual 4º, 5º ou 6º ano


ESCOLA: ____________________________________________
ALUNO(A): _______________________ DATA: ________


A árvore perfumada


            Havia uma floresta muito bonita na qual vivia um velho lenhador. Ele morava em uma casinha muito simples, porém muito aconchegante. Era solitário, mas não gostava de reclamar da vida, pois o canto dos pássaros e os animais silvestres lhe faziam companhia. Todos os dias o velho homem saia pela floresta para cortar e armazenar lenha e assim aquecer sua cabana nas noites frias.
            Em uma dessas manhãs o homem teve que percorrer um trajeto um pouco maior que o normal, pois não encontrava árvore adequada para cortar. Em certo ponto o lenhador percebeu uma árvore frondosa e de bons galhos e teve certeza que acabara de achar aquela que lhe daria boa lenha para sua lareira. Ele segurou firme o machado e começou a dar os primeiros golpes e logo percebeu que algo mágico estava acontecendo. Um perfume gracioso tomou conta do lugar e para surpresa do lenhador o perfume vinha dos cortes abertos no tronco da árvore. Então o homem pensou: “Que árvore nobre é essa que perfuma até o machado que a machuca?”.
            Tempos depois o velho lenhador soube que o nome da árvore era sândalo e que de sua madeira se fazia um dos mais agradáveis perfumes.  O morador solitário da floresta não cortou mais a árvore, pois achou que um ser tão belo não merecia a morte só para aquecer sua casa. Porém, agora sempre recolhe os galhos secos de sândalo para misturar à lenha de sua fogueira. Naquela floresta agora se pode sentir o doce aroma do sândalo a perfumar o ar, principalmente nas noites de frio.
                                                                                 
                                                                                           Jorge Luiz
Sobre o texto

1. Quais as características que o texto apresenta sobre o lenhador?
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2.  Por que certo dia o homem teve que andar um pouco mais que o normal?
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3. A que se refere o termo “mágico” no texto?
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4. Por que o homem se admirou com árvore?
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5. Por que o lenhador resolveu não mais cortar a árvore?
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6. Por que o texto diz que o perfume do sândalo pode ser sentido principalmente nas noites frias?____________________________________________________________________________________________________________

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