segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O quintal assombrado



O quintal assombrado

Há um pedaço do homem que ficou na velha casa

Há tempos deixou a velha casa, mas ela nunca o deixou

Ela sobrevive em suas lembranças

Leva-o para seu interior quando bem lhe convém

Logo se vê no grande alpendre que dá para o quintal

Seu quintal é a serra, colossal, apoteose verde

A grande mangueira o saúda imponente

Em suas raízes ele voltará a impulsionar o carro a fricção

Mas carro de fricção não serve em areia de serra, areia escura

É necessário involuir, portanto o carrinho já não é mais de fricção

Nada moderno funciona no quintal, tudo é verde, frio, calmo e tranquilo

É o quintal dos macacos, das raposas, do córrego de inverno e dos guaxinins noturnos

À noite a escuridão escorrega da serra e invade o quintal

Ela desliza por sobre as árvores e põe a correr o medroso menino e seu carrinho

"Foge menino, pois a noite reclama seu reino" diz ela prontamente atendida

A noite é a hora da casa, da grande casa com data de construção - 1915

Acima, muito acima, as velhas carnaúbas escuras e tenebrosas sustentam o antigo telhado

O menino sabe que se olhar pra cima pode ver um fantasma ou um demônio

O medo o faz aproximar-se de todos, visitas que se encostam na porta dupla pra assistir tv

E bebem café, e conversam e gritam e brigam e riem num frenesi assustador

Vozes de homens, raros em suas lembranças, para ele as tias é que governavam

As muitas tias, primas, vizinhas... sempre as mulheres

Os homens?... andarilhos ocasionais

Na velha rede, olhar a mãe a rezar, pedir a "bença" e rezar também

Pedir a Deus pra dormir logo e não ter que ir ao banheiro e não ver barata, aranha nem fantasma... que amanheça logo Senhor.

28/12/2015

DEZ LIVROS QUE ESTRAGARAM A HUMANIDADE - E OUTROS CINCO QUE NÃO AJUDARAM EM NADA

DEZ LIVROS QUE ESTRAGARAM A HUMANIDADE - E OUTROS CINCO QUE NÃO AJUDARAM EM NADA



     Dos livros que até agora tem sido sugeridos e comentados neste blog é possível perceber uma certa similaridade. Isso é proposital e reflete uma busca pessoal em estabelecer uma reflexão mais profunda sobre pensadores e seus clássicos que são massivamente indicados à leitura e aceitação principalmente nos ambientes acadêmicos. 
    Dos livros que Benjamim Wiker traz em sua lista nem todos são enrustidos de uma aparente benignidade, tais como Minha Luta de Adolf Hitler e O príncipe de Nicolau Maquiavel, contudo a despeito de sua explícita perversão não é desconhecido da maioria dos expectadores atentos da história o fato de sua aceitação e seus nefastos resultados para a humanidade. 
     É necessário, porém chamar atenção aos livros sobre os quais assenta-se a base epistemológica dos cursos de formação superior, principalmente em ciências humanas. Autores como Rousseau, John Stuart Mill, Marx, Engels, Thomas Hobbes, Darwin, dentre outros são muitas vezes sacralizados pelos professores e seus currículos nas universidades. Lembro-me de questionar com uma professora (e receber uma total hostilização) sobre como dissociar uma vida tão cheia de maus exemplos (na ocasião falávamos de Rousseau e o abandono de seus cinco filhos) de sua produção tão influente e tão cheia de "boas" intenções. Na época, muito jovem que era, resolvi me dobrar perante o saber da academia. Quem era eu diante centenas de anos de credibilidade? 
     Neste livro o leitor poderá perceber que muitas "ingênuas desconfianças", tais como as minhas, na verdade são passíveis de aprofundamento e comprovação. O leitor descobrirá que muito do saber acadêmico na verdade foi construído sob "pseudociências" e que em sua grande parte configuram-se em uma tentativa, bem arquitetada e mentirosa, de tornar verossímeis alguns pontos:

1. Negar a existência de Deus e de sua consequente criação.

2. Justificar como natural e inerente à nossa condição humana o que na verdade é anti-natural e tornar a decência de um comportamento semelhante à perfeição divina em exterior e estranho à nossa natureza, ou seja, normalizar o que é estranho e animalesco e estranhar o que nos faz humanos: Nossa capacidade de julgar e refletir sobre nosso atos, atributo dado por nosso criador.

3. Legitimar mecanismos injustos, agressivos e desumanos como motor necessário à evolução humana.

    Excelente leitura! Abaixo da capa segue link para leitura da obra.








domingo, 13 de dezembro de 2015

A DESOBEDIÊNCIA CIVIL

A desobediência civil

 

 
Comentários e citações

Henry Thoreau (12/07/1817 * 06/051862 +) era abolicionista, crítico feroz da América do século XIX. Era amante e defensor das florestas e seu texto revela constante defesa da vida bucólica e do resgate da relação entre o homem e a natureza. Nesta obra, aqui brevemente resumida em citações, nota-se sua peculiar capacidade de alto senso crítico em relação às instituições e à burocracia estatal sem deixar de lado seu lado espiritualista e  religioso. Leitura indispensável àqueles que buscam o livre pensamento. Segue link abaixo da imagem para leitura online.

"Penso que devemos ser primeiro homens, e só depois súditos." (pg. 7)

"Um resultado comum e natural do respeito indevido pela lei é que se pode
ver uma fila de soldados, coronel, capitão, cabo, recrutas, carregadores de explosivos
e tudo o mais, marchando em ordem admirável pelos caminhos mais tortuosos para a
guerra, contra sua vontade, pior ainda, contra sua sensatez e sua consciência, o que
torna a marcha realmente muito dura e faz o coração palpitar."

"Assim, a massa de homens serve ao Estado não na qualidade de homens, mas
como máquinas, com seus corpos."

"Alguns estão reivindicando ao
estado que dissolva a União, desprezando as determinações do presidente. Por que
eles próprios não dissolvem a união entre eles e o estado, recusando-se a pagar sua
cota ao tesouro nacional?"

"É ele, o governo, que o torna pior. Por que ele
não se mostra mais inclinado a se antecipar e a providenciar as reformas? Por que
não valoriza suas minorias sensatas? Por que ele chora e resiste antes mesmo de ser
ferido? Por que não encoraja seus cidadãos a estar alertas para apontar suas falhas,e
assim melhorar sua atuação para com eles? Por que ele sempre crucifica Cristo, excomunga Copérnico e Lutero e declara Washington e Franklin rebeldes?"

"Se a injustiça faz parte da necessária fricção da máquina de governo, deixe estar:
talvez ela acabe por suavizar-se — certamente a máquina se desgastará. Se a injustiça
tiver uma mola própria e exclusiva, ou uma polia, ou uma corda, ou uma manivela,
talvez seja o caso de avaliar se o remédio não seria pior que o mal; mas se ela for do
tipo que requer que você seja o agente da injustiça contra outra pessoa, então, eu digo:
Viole a lei. Deixe que sua vida seja uma contrafricção que pare a máquina. O que eu
tenho a fazer é cuidar, de todo modo, para não participar das mazelas que condeno."

"Em um governo que aprisiona qualquer um injustamente, o verdadeiro lugar
para um homem justo é também a prisão."

"...quanto mais dinheiro, menos virtude, pois o
dinheiro se interpõe entre um homem e seus objetivos, e os alcança para ele, e
certamente não há grande mérito em alcançá-los dessa maneira."

Confúcio disse: “Se um Estado é governado pelos
princípios da razão, pobreza e desgraça são objetos de vergonha; se um Estado não é
governado pelos princípios da razão, as riquezas e honrarias são objetos de
vergonha”.

"Custa-me menos, em todos os sentidos, sofrer as penas decorrentes da
desobediência ao Estado do que me custaria obedecê-lo. Neste caso, eu me sentiria
diminuído em meu valor."

"Desse modo, o Estado nunca confronta intencionalmente a consciência, intelectual
ou moral, de um homem, mas apenas seu corpo, seus sentidos. Não dispõe de
inteligência ou honestidade superiores, mas só de força física maior."

"...quando uma bolota de carvalho e uma
castanha caem lado a lado, uma delas não fica inerte para dar espaço à outra, mas
ambas obedecem a suas próprias leis, brotando, crescendo e florescendo o melhor que
podem, até que uma, talvez, eclipse e destrua a outra. Se uma planta não pode viver
de acordo com sua natureza, ela morre. O mesmo ocorre com um homem."

"A verdade de um advogado não é a Verdade, mas a coerência, ou uma conveniência
coerente. A Verdade está sempre em harmonia consigo mesma, e não está preocupada
primordialmente em revelar a justiça que possa porventura ser compatível com o mal."

"...a riqueza do homem é proporcional à quantidade de coisas de que pode abrir mão."

"É bom ter alguma água nas proximidades, para dar leveza de espírito e irrigar a terra."

"Muito pouco se pode esperar do dia, se é que se pode chamar de dia aquele em
que não somos acordados por nosso Espírito, mas pelos cutucões mecânicos de um
criado, em que não somos despertados por nossa própria força recém-adquirida e por
aspirações vindas de dentro, acompanhadas pelas vibrações da música celestial, em
vez dos alarmes das fábricas, e por uma fragrância que preenche o ar, para uma vida
mais elevada do que aquela que deixamos ao cair no sono, e assim a escuridão gera
seu fruto e se mostra tão boa quanto a luz."

"Os milhões estão despertos o bastante para o trabalho físico; mas apenas um em 1 milhão está desperto o bastante para o esforço intelectual efetivo; apenas um em 100 milhões está desperto para uma vida poética ou divina."

"Não conheço fato mais animador do que a
inquestionável faculdade humana de elevar sua existência por meio de um empenho
consciente. Ser capaz de pintar um quadro específico, ou esculpir uma estátua, e assim
tornar belos alguns objetos, tem sua importância; mas é muito mais glorioso esculpir
e pintar a própria atmosfera e o modo como observamos as coisas, e isso é algo que
moralmente podemos fazer."

"Novidades! É tão mais importante saber aquilo que nunca fica velho!"

"Quando pensamos com sensatez e sem pressa,
percebemos que apenas as coisas grandes e valiosas têm existência permanente e
absoluta — que pequenos medos e pequenos prazeres não são mais do que sombras
da realidade. Esta é sempre exultante e sublime."

"Tomamos pelo que é aquilo que parece ser."

"O universo responde de modo constante e obediente a nossas concepções; quer viajemos
depressa ou devagar, a estrada está aberta para nós."

"Um governo que deliberadamente pratica a injustiça, e nela persiste, acabará por se tornar alvo do sarcasmo do mundo."

"A lei nunca tornará livres os homens; são os homens que precisam tornar livre a lei. São amantes da lei e da ordem os que as observam quando o governo as viola."

"Quando, em alguma obscura cidade do interior, os lavradores
se reúnem num encontro especial de cidadãos para expressar sua opinião acerca de
algum tema que aflige o país, isso, acho eu, é o verdadeiro Congresso, o mais
respeitável que já se reuniu nos Estados Unidos."

"Não importa quão valiosa possa ser a lei
para proteger sua propriedade, ou mesmo para garantir a integridade de seu corpo e
sua alma, se ela não mantiver a pessoa unida à humanidade."

"...a questão é saber se nós agora,
finalmente, serviremos a Deus — a despeito de nossa covardia pregressa, ou da
covardia do nosso antepassado —, obedecendo à única constituição eterna e justa,
que Ele, e não Jefferson ou Adams, escreveu em nosso ser."

"O destino do país não depende de como votamos nas
eleições — nesse jogo o pior dos homens se equipara ao melhor —, não depende do
tipo de papel que colocamos na urna uma vez por ano, mas do tipo de homem que
cada um de nós coloca na rua ao sair de casa a cada manhã."

"Quem pode estar sereno num país em que governantes e governados são desprovidos de
princípios? A lembrança de meu país estraga minha caminhada."

"A melhor homenagem que já me fizeram foi quando alguém me perguntou o que eu
pensava, e deu atenção à minha resposta."
 

sábado, 17 de outubro de 2015

AVISOS URBANOS

Avisos urbanos sobre aquecimento global

É incrível a capacidade e possibilidades utilizadas pelos artistas de rua para passarem sua mensagem. Aqui há uma série de artes de rua abordando o aquecimento global e a necessidade que temos de nos conscientizar a respeito do impacto ambiental ocasionado pelo nosso consumismo desenfreado. Aprecie sem moderação!


AUTODESTRUIÇÃO IRRACIONAL


 CONSUMINDO O PLANETA


 O TEMPO  ESTÁ PASSANDO


 Foda-se. Coma a si próprio




 EU NÃO ACREDITO EM AQUECIMENTO GLOBAL


 GELO EM CHAMAS


 RECICLANDO?
   ARTE NO LIXO


   Essa semana garimpando a internet encontrei essa série de esculturas super criativas e feitas inteiramente com lixo que as pessoas costumam descartar na praia. A iniciativa é de uma organização americana do estado do Oregon chamada de Washed Ashore, algo próximo de "praia ou costa lavada" em português. A ação serve pra mostrar os exageros da nossa capacidade de consumir e descartar sem critério nenhum lixo nas praias. Você pode encontrar mais informações no site da própria organização: http://washedashore.org/media/gallery/gallery-2/
Há! Vale a pena lembrar: Na praia leve sua sacolinha e recolha seu lixo ok!




 
   Uma improvável experiência espiritual

 
   Olá leitores deste humilde blog! Nesta semana minha dica de literatura vai para um livro que já é bastante conhecido mas que ainda tem muitos leitores a atingir. Confesso que sou meio desconfiado de livros que rapidamente viram moda e começam a aparecer em revistas de cosméticos a serem encomendados junto com outros produtos em pedidos mensais. Este livro no entanto me surpreendeu. Trata-se de uma história desafiadora e logo no início a narrativa já faz uma seleção de seus leitores ao fazê-los se deparar com um drama no mínimo repugnante: O abuso e assassinato de uma criança. Nesse ponto passei a olhar para o livro distante por uma semana pensando se continuaria a leitura. Persisti e tive uma experiência que eu realmente não esperava de um livro de ficção. Minha relação com Deus e minha compreensão de Seu amor por nós mudou consideravelmente. Recomendo sem medo de decepcionar, principalmente para os cristãos que não tem medo de considerar O Senhor de outras formas não tão "eclesiásticas". Você pode acessar o link abaixo da capa e fazer a leitura do livro online. Boa leitura!!!


ORAÇÕES SUBORDINADAS - INTRODUÇÃO

Orações Subordinadas - Estudos e classificação

ORAÇÕES SUBORDINADAS

ORAÇÕES SUBORDINADAS - ESTUDO E CLASSIFICAÇÃO

Inglês - Verbo to be e pronomes

domingo, 11 de outubro de 2015

GUIA PARA QUEM ENXERGA BEM

Essa dica de literatura vai para os que estão ávidos por um ponto de vista divergente e atrevido em relação a um monte de "verdades" que temos aprendido durante nossa vida escolar e acadêmica. O primeiro guia politicamente incorreto que li é o de autoria de Luiz Felipe Pondé. Fazia tempo que não tinha contato com um livro tão provocativo como esse. O leitor que se aventurar nas páginas do Guia Politicamente Incorreto de Filosofia vai se deparar com uma obra capaz de mexer com os brios daqueles que não estão muito acostumados com as verdades escondidas sob o manto dissimulado da "praga dos politicamente incorretos" raça de indivíduos apontada pelo autor como responsáveis por uma onda de hipocrisia reinante no mundo inteiro. No famigerado mundo dos politicamente corretos estão inclusos personagens bastante caricatos de nossa sociedade como feministas e ambientalistas. O livro discorre sem preconceitos sobre questões normalmente encobertas por discursos hipócritas que mascaram a maioria de nossas inclinações e disposições "naturais". Apesar de não concordar com quase todos os pontos de vista do autor é necessário, até urgente, que a sociedade comece a exercitar um pouco mais a tomada de posições politicamente incorretas, pois   as corretas, quase sempre são fruto de nossa tendência de mascarar e até negar a verdade.                                                               

GUIAS PARA QUEM ENXERGA BEM

Esta obra, sobre a qual faremos alguns breves comentários, é de autoria de Leandro Narloch. A proposta desta excelente coleção é de apresentar aos leitores com liberdade de pensamento um novo olhar sobre nossa história bem como da história mundial. No guia politicamente incorreto da história do Brasil é possível perceber uma quebra geral de paradigmas construídos em nossa trajetória escolar que chegam mesmo a causar certo incômodo mas que se levados a sério podem sim desmistificar muitos de nossos heróis e anti-heróis. Com uma linguagem clara, acessível e embasado em uma ampla pesquisa bibliográfica o autor viaja pelos mitos ha história brasileira e nos traz uma nova visão sobre personagens pouco conhecidos (ou seria melhor dizer: conhecidos equivocadamente)  de nossa historiografia, tais como Tiradentes, Zumbi dos Palmares e a própria família real.
   No Guia Politicamente Incorreto de História da América Latina o autor consegue encontrar evidentes causas e eventos históricos que ajudam a desconstruir o mito da unidade latino-americana bem como desmascarar os heróis e anti-heróis aos quais costumamos eleger como ícones, modelos a serem seguidos. Dentre os personagens e eventos melhor tratados nas obras vale a pena citar Che Guevara, Salvador Allende e o processo de independência do Haiti. O mesmo foco de investigação e um texto atrativo e fácil de ler é mantido no Guia Politicamente Incorreto da História do mundo. Leitura indispensável para quem não tem medo de sair da caverna e ver a luz verdadeira.

domingo, 21 de junho de 2015


Mais uma chance


Chegou tarde do trabalho. Estava pálido como se tivesse passado uma grande aflição. Era noite de tempestade, mas as emoções, pensamentos e vertigens eram fortes. Não se conteve. Havia uma súbita inspiração nascendo em algum lugar de sua alma. Sabia que se não escrevesse perderia o momento. Perderia aquela comunicação divina e etérea que só os amantes da linguagem literária conhecem. Não falou com a esposa nem com os filhos. Era preciso agilidade. Nenhum minuto poderia se perder. A história já se adiantava nos seus momentos máximos e as mãos, pobres mãos! Sempre mais lentas que o cérebro, máquina cinzenta e volumosa a qual nenhum computador conseguiu superar. Abriu a porta do pequeno escritório que mais parecia um quarto de monge. No lugar de um crucifixo ou de uma bíblia repousava um velho laptop que só adquiria vida nos momentos que agora estavam a se desenrolar.  Um homem caminhando sozinho numa noite de chuva desenhava-se nas linhas do editor de texto. As palavras começaram a pintar as cenas frias e sombrias de uma noite que ficaria pra sempre na mente do personagem que agora nascia. Carros estacionados e de vez em quando diamantes brilhantes reluziam nos recônditos escuros nas faces de felinos, eternos amigos da boemia e da escuridão. Ele vinha apressado. Perdera o último trem e agora o mau tempo o obrigara a uma caminhada de dez quadras que o separavam de sua casa. No meio do caminho sentiu que estava sendo seguido. Um medo que insistia em crescer no seu peito, mas que era reprimido pelo ingênuo desejo de refrear a realidade apenas crendo-a diferente. Ao seu redor apenas prédios comerciais e poucas janelas iluminadas denunciando sonâmbulos moradores que mais pareciam vampiros a despertar quando o centro da cidade dormia. A chuva agora era torrencial e os pingos se chocavam com força em seu rosto. Os pés completamente encharcados produziam um caldo de lama em seus sapatos que agora se inchavam conforme seu passo se apressava. Por um instante esqueceu seu temor ignorado, mas agora o medo emitia sons. Sons de passos que se aproximavam cada vez mais. Repeliu o medo mais uma vez. Os passos agora pareciam estar a menos de dez metros. Virou-se. É um assalto! Uma arma agora estava apontada para sua testa. Ficou imóvel. Indefeso, mal respirava e a voz não saiu quando o homem exigiu a carteira. Levou uma coronhada na testa. Tá surdo porra! Passa a carteira! Trêmulo alcançou a carteira no bolso de trás. Entregou ao homem que rapidamente a abriu e retirou o pouco dinheiro que lá havia. Fitou os olhos de sua vitima. Olhos que já vira inúmeras vezes, ali mesmo naquela rua. Estavam cheios do sentimento que lhe dava êxtase. Um prazer doentio que o obrigava a finalizar suas ações com o máximo de covardia. Vai morrer! Empunhou a arma, puxou o gatilho... o personagem da pequena história então pode ver tudo, mesmo com olhos fechados viu o filme. Aquele que dizem passar diante dos olhos na hora da morte. Viu sua infância, adolescência, juventude e maturidade. Viu todos os momentos, os bons e os maus. Os rostos felizes daqueles que lhe deram o prazer de dividir sua existência. Viu os que se foram e os que ainda estavam com ele. Ouvia as vozes dos filhos. Seus gritinhos pela casa em dias de domingo. Dias tão desejosos de descanso e que quase sempre lhe roubavam o restinho das forças não consumidas no trabalho. Viu sua mulher. Sentiu seu cheiro, sentiu suas carnes quentes e depois aquele par de olhos tão calorosos, tão doces, tão meigos... Abriu os olhos com os “clics” repetidos da arma que não funcionara. Como todos os covardes, o bandido sentiu que poderia ser pego por sua vitima e correu retornando às trevas que o acolhiam envolvendo-o como a um demônio. Retomou seu caminho. Chegou em casa e só depois de registrar tudo o que viveu em seu pequeno laptop foi que saiu e amou sua família como nunca houvera amado antes. 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Fim da escola = Fim da civilização

               

FONTE DA IMAGEM: pt.forwallpaper.com

FIM DA ESCOLA = FIM DA CIVILIZAÇÃO
            
              Quando as ruínas de Wosh foram encontradas houve um alvoroço em toda comunidade científica mundial. Ninguém podia acreditar que em pleno século XXI seria possível encontrar uma civilização tão desenvolvida como aquela. Os Woshianos, como logo se convencionou chamar, eram um povo extremamente avançado e continua em mistério o que causou a ruína da mais organizada sociedade até agora encontrada pelos arqueólogos. Wosh não era superior aos egípcios nem mais evoluída que os antigos gregos, mas detinha em sua organização social algo que nenhuma outra sociedade, anterior à nossa, chegou a pensar, organizar e manter. Wosh tinha escola. Tal como a nossa, a escola de Wosh destinava-se a um objetivo: formar trabalhadores para atuarem produtivamente em sua máquina econômica que no caso de Wosh era a agricultura e comércio de artesanato, roupas e gêneros alimentícios em geral. Para o leitor que aqui resolveu dedicar preciosos minutos de seu tempo, não entrarei em delongas infindáveis sobre localização, clima e informações de segunda categoria. Importa-nos, porém saber que motivos levaram esta organizada sociedade a falir e é nesse nobre esclarecimento que nos deteremos nas linhas adiante.
                Os arqueólogos descobriram que no início os pequenos vilarejos de Wosh viviam subordinados aos caprichos da natureza. Enchentes, secas e temporais destruíam freqüentemente o ardoroso trabalho agrícola dos woshianos de forma que a primeira ação discutida e decidida pelos anciãos foi que, a partir daquela data, jovens woshianos seriam enviados aos campos para que constantemente observassem os tempos no sentido de prever os terríveis eventos climáticos que até ali haviam reinado sobre as vidas dos pobres cidadãos de Wosh. O primeiro problema surgiu quando, após anos neste ofício, os jovens woshianos incumbidos de tal tarefa, passaram a manter seus registros e observações somente para si. Deste ponto até o surgimento dos primeiros sacerdotes e feiticeiros que previam o futuro com acerto “mágico” foi apenas um passo. As primeiras classes não demoraram a surgir e os conflitos também vieram com guerras e separações até que um importante cidadão de Wosh financiou uma revolta e implantou uma série de mudanças. WoshMax decidiu que dali em diante ele e seu exército representariam a vontade dos woshianos e justificou que dessa forma haveria um ser maior que todos, mas que ao mesmo tempo representaria a vontade de todos. Estava criado o Estado dos Clãs de Wosh. Dentre as obras de WoshMax, a mais interessante foi a escola woshiana que recebeu o estranho nome de Prédio. Em seu decreto estavam escritos os quatro preceitos básicos do funcionamento do prédio:

 * Todo cidadão de Wosh, homem ou mulher, a partir dos 9 anos passará a freqüentar o Prédio para aprender tudo o que for necessário para exercer sua cidadania e contribuir para o bem da sociedade.

  * O cidadão woshiano cumprirá dez ciclos de estudos na escola. Cada ciclo terá um ano de duração e o mestre decidirá, através de testes, se o aprendiz está apto para o próximo ciclo. Se não estiver deverá repetir o ciclo.

Todo aprendiz deverá mostrar respeito e reverência pelo mestre.

O prédio terá por objetivo reproduzir em sala tudo o que o aluno precisará aprender para participar da vida em sociedade.

                 O prédio foi a maior invenção de WoshMax e nos registros encontrados nas ruínas da antiga cidade há várias imagens onde WoshMax é reverenciado como um Deus pela sua brilhante invenção. O prédio funcionara muito bem no início. Todos os pais queriam ver seus filhos freqüentando o Prédio e como tudo era sustentado pelo Estado woshiano a escola tornou-se acessível a todos. Só as crianças não conseguiam entender porque era necessário sair dos campos ou das fazendas para aprender as coisas que elas já aprendiam nos campos e nas fazendas. Mesmo com a relutância dos mais jovens o prédio de ensino de Wosh começou a dar os primeiros resultados. Os jovens que concluíam o período de dez anos começaram a perceber que os processos agrícolas poderiam ser melhorados. Começaram a criar formas mais rentáveis e econômicas de usar a terra e fazer comércio e todas as mudanças começaram a enriquecer os cidadãos detentores de mais terras e os comerciantes com pontos de venda mais bem localizados. Wosh passou de um aglomerado de aldeias para um grande centro econômico. Sentiu-se a necessidade de proteger melhor as cidades e logo o exército ganhou importante reforço. Wosh já não era mais a mesma. O luxo, a riqueza e as diferenças sociais transformaram a antiga vila em uma importante metrópole. Acontece que com a concentração de renda e o enriquecimento de alguns, começaram a haver pequenos conflitos entre os velhos senhores enriquecidos e os jovens que saiam do Prédio. Os jovens sabiam que algo estava errado e não concordavam mais em contribuir com o crescimento daquela sociedade tão desigual. Wosh viveu nessa época seus primeiros protestos de rua. Com os protestos vieram o vandalismo, a depredação e a histeria coletiva. Nascia a esquerda Woshiana. Liderada pelos primeiros alunos do prédio o movimento começou a crescer e tomar corpo. Ideais de igualdade, fraternidade e justiça enchiam as praças da cidade e não era raro ver pequenos comícios a inflamar a multidão contra os ricos senhores e o Estado Woshiano, a quem chamavam de Woshiatã.
                Os velhos senhores, donos das terras e dos comércios exigiram uma audiência com WoshMax que nesta época já era um ancião. A audiência ocorreu numa velha fazenda na calada da noite. Os velhos rosnavam de ódio contra os agitadores, particularmente contra um líder de nome engraçado: Woshgovara. Homem exaltado que tinha o hábito de não barbear-se, comportamento já copiado por seus seguidores. Em meio a gritos e planos de assassinato o velho WoshMax ergueu seu corpo grande, velho e pesado e bradou:
                __ Silênciooooo!!! Vós sois tardos em compreender as causas e efeitos que aqui se discutem de forma tão equivocada? Como pretendeis eliminar um, dois ou quarenta homens? Acaso achais que isso nos dará solução? Tolos!!! Temos de matar idéias e não homens. Homens se compram! Idéias sim, essas podem ser mortas.
                __ O que nosso experiente chefe sugere então? Replicou um ancião.
                __ Ataquemos a fonte das idéias e então acabaremos com nossos problemas.
                __ E o barbudo? O que faremos a ele?
                __ Busquem seu preço. Todo revolucionário tem um preço!
                A reunião terminou e no outro dia os planos tiveram inicio. A primeira ação foi cortar pela metade os recursos destinados ao prédio. Desta forma os salários dos mestres reduziram-se e muitos desistiram do ofício. Outros mestres menos qualificados começaram a ser aceitos pelo Estado. A qualidade do ensino e da aprendizagem começou a cair. As reprovações que se destinavam a corrigir e reforçar o aprendizado deficiente foram extintas. Sob o argumento de que estudante na escola era prejuízo para o Estado woshiano os jovens foram sendo aprovados sem capacidade técnica. Alunos que não aprendiam eram imediatamente taxados de incapazes. Eram enviados aos curandeiros da cidade que condenavam os jovens beberem misturas de ervas que os tornavam sonolentos e letárgicos como zumbis. A alimentação no prédio diminuiu e não sustentava mais os alunos na escola. O abandono ao prédio começou a surgir. Jovens eram vistos nas praças e ruas quando deveriam estar nas escolas. Com o ócio passaram a se drogar e cometer crimes. Outra instituição surgiu para resolver o problema. Chamava-se prédio também, só que lá não se estudava. Os jovens pegos cometendo crimes eram enviados para o segundo Prédio e cumpriam penas corretivas de um a dez anos. Quando saiam de lá estavam piores do que quando entravam. A inovação e a técnica na produção começaram a sumir. Não havia mais pesquisa e os rendimentos começaram a cair. Os ricos começaram a empobrecer. Os pobres se desesperaram e os jovens que não caíram nos crimes fugiram para outras cidades. Ao receber um cargo de honra e um salário mensal, o barbudo revolucionário Woshgovara traiu seus ideais e abandonou a “causa”.
                Wosh acabou em guerras, conflitos, pobreza e decadência. Nem a direita nem a esquerda foram capazes de sustentar a cidade que nasceu do nada, cresceu e floresceu, mas no auge de sua beleza e riqueza, foi destruída pela ganância e pela alienação. Em um dos pilares do antigo prédio está gravado em letras garrafais o que muitos de nossos governantes poderiam aprender:

“Não se constrói uma grande civilização sem sabedoria e conhecimento, contudo sabedoria e conhecimento também são necessários para destruir esta mesma civilização.”

* Aos que se interessarem: Escreva "falso" no tradutor do Google e escolha o idioma russo. Wosh é somente a pronúncia da palavra "falso" em russo.

domingo, 3 de maio de 2015

CICLO

  




FONTE DA IMAGEM:fotovida.arteblog.com.br



CICLO

   Quando terminou o curso quase perdeu a voz de tanto gritar. Finalmente poderia chamar-se professor. Quão doce seria o momento de ouvir: "Professor, tira aqui uma dúvida". Seu pai nunca sorriu pra isso. Sempre que se tocava no assunto em casa o velho no máximo dava meio sorriso e de vez em quando soltava: "É, vamo ver" e se calava novamente. Sócrates nem ligava. O apoio da mãe e seus sonhos de fazer algo pelo país eram suficientes para continuar naquele caminho e assim é que após quatro anos de Licenciatura o jovem idealista concluiu seu curso.
   Cinco e meia o rapaz levantou, arrumou as coisas, tomou café rápido e saiu para seu primeiro dia de aula. Enquanto não aparecia concurso resolveu trabalhar como temporário na rede pública. O amigo Alfredo lhe oferecera uma vaga na escola em que trabalhava. "Bora Sócrates, lá é bom. Os alunos são esforçados, a indisciplina não é das piores e escola particular tem um detalhe bom, os pais pegam pesado nos filhos, afinal tão pagando né?!". Sócrates agradeceu, mas preferiu a escola pública. Só lá é que poderia colocar seus planos idealistas em prática, e mesmo assim pensava: "Não me formei em Universidade pública? Devolverei à sociedade o que ela me concedeu." Assim era Sócrates. Um brasileiro no mesmo timbre de Policarpo Quaresma.
   "Olá, a senhora é a diretora. Eu sou Sócrates. Estou aqui para assu...", "Eu sei, eu sei moço. Pelo amor de Deus, você vai assumir o sétimo ano da escola. Eles são terríveis. Já botaram três professores pra correr... Você já deu aula?", "Bom me formei agora e...", "Há meu Deus era só o que me faltava. Como é a secretaria manda um professor sem experiência pra cá? Isso é um absurdo! Meu filho, só tem tu, vai tu mesmo. Presta atenção. Eles tem vários problemas de aprendizagem. Não há acompanhamento por parte da família. Alguns usam drogas, outros são envolvidos com gangues. Se você ver alguma arma é melhor fazer de conta que nem viu. Há quatro alunos especiais, mas só dois tem laudo, você vai para o sétimo mas dará conteúdo diversificado pois alguns não sabem ler nem escrever, além disso deverá fazer planos para os alunos especiais e aplicar esses planos durante a aula. Há! Reprovação nem pensar viu!", "E se eles não aprenderem? Quer dizer, você disse que alguns quase não leem...", "Professor, e o senhor? Pra que servirá na sala senão para ensiná-los, ora essa!!".
   Quando o intervalo tocou, dois anos da vida de Sócrates pareciam ter passado naquelas duas horas de aula, se é possível chamar aquele diálogo truncado, interrompido, gritado e cortado que se estabeleceu. Na sala dos professores um colega de profissão tomava café. Seu olhar estava baixo e sombreado pelas olheiras. "Você é o novo professor não é? Prazer, meu nome é Kepler, coisa de nerd. Meu pai era professor de física. Diz ai pra mim, como é que um cara novo como você faz esse tipo de escolha, quer dizer, porque ser professor, se com sua capacidade você poderia se tornar um profissional mais valorizado?", A pergunta incomodou muito a Sócrates que retomou seu vigor e nos 15 minutos restantes justificou sua escolha percorrendo os caminhos da ética, da moral e do dever cívico. Citou os mais iminentes teóricos marxistas, expôs com veemência a luta de classes e teria defendido uma tese de doutorado se a diretora não o alertasse sobre o tempo apontando o dedo para o relógio. Sócrates recolheu seus pertences e caminhou para seu segundo tempo profundamente contrariado com o novo amigo que de semelhante a ele só tinha a alcunha de um grande personagem da construção do saber universal, as ideias porém eram completamente diferentes.

   Muitas idas e vindas, muitos recreios, muitas discussões políticas e filosóficas seguiram-se à primeira anteriormente narrada. Vinte anos de ofício passaram-se e o amigo Kepler deixou de incomodar Sócrates. Um infarto fulminante enquanto explicava os monômios e polinômios levou o cansado mestre à "terra dos pés juntos". Pelo menos agora Sócrates tomava sua xícara de café sem ter que puxar conversa, o folego diminuíra com o tempo, efeito das aulas e gritos ocasionais. Sentado, cotovelos na mesa, olhos baixos e sombreados pelas olheiras, Sócrates viu entrar na sala dos professores o substituto de Kepler. Rapaz novo de olhar vivo e cheio de ideais. O novato sentou-se ao lado de Sócrates que com voz rouca perguntou:  "Você é o novo professor não é? Prazer, meu nome é Sócrates, coisa de boleiro. Meu pai era corintiano. Diz ai pra mim, como é que um cara novo como você faz esse tipo de escolha, quer dizer, porque ser professor, se com sua capacidade você poderia se tornar um profissional mais valorizado?".

sexta-feira, 1 de maio de 2015

PROPOSTA DE TRABALHO COM ALUNOS DO 9º AO 3º DO MÉDIO - ANÁLISE LINGUÍSTICA DE VÍDEO


ATIVIDADE PROPOSTA PARA ALUNOS DO 9º AO 3º ANO DO ENSINO MÉDIO

OBJETIVOS GERAIS: 

               * Estabelecer o contato e análise estrutural da estrutura do gênero notícia.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

               * Propor uma reflexão crítica sobre o conteúdo da notícia.

MATERIAL NECESSÁRIO:

               * Cópias do texto.

               * Vídeo que acompanha a notícia.

CONTEÚDO:

              * Gênero notícia de jornal.

ESTRATÉGIA METODOLÓGICA:

              * Amostra do vídeo que dará introdução à aula e que servirá para ativação dos esquemas mentais: "quem é o governador do estado? quem aparece na imagem? pelo que os estudantes protestavam?"

              * Distribuição da notícia em xerox.

              * Análise da estrutura específica do gênero notícia através das questões:

                       - Qual o título do texto?

                      - É possível inferir, já no início do texto o assunto que será tratado? Porque e para quê o escritor da notícia o fez assim?

                      - Quais os fatos mais importantes trazidos no texto?

                      - A quem se destina o texto lido?

                      - Quem o escreveu, qual sua fonte?

                      - Qual a informação que fecha o relato trazido na notícia?

              * Análise dos elementos lexicais:

                      - Traduza as seguintes abreviaturas:
                                  + UECE:
                                  + Fecli:
                                  +  URCA:

                   - Procure no dicionário o significado da palavra "babaca" usada pelo Secretário de Estado Ciro Gomes.

             - Emita sua opinião a respeito do termo usado pelo Secretário referindo-se aos estudantes e servidores.

                 * Análise dos elementos gramáticais:

                    - Análise do tempo verbal e sua adequação ao gênero.
AVALIAÇÃO:

      * Encerrar a atividade propondo uma redação em no mínimo dois parágrafos solicitando uma descrição resumida da notícia e a opinião do aluno(a) sobre os conflitos descritos no texto.

Anexos:

Notícia

Ciro chama estudante de ''babaca'', toma e rasga cartaz em manifestação da UECE

www.opovo.com.br/ 2 de nov de 2013

De passagem pelo município de Iguatu, a 384,1 km de Fortaleza, na tarde da última sexta feira, 1°, Ciro Gomes, atual secretário da Saúde do Estado, trocou insultos com estudantes da Uece/Fecli e Urca, que realizavam ato no aeroporto da cidade. Depois de se aproximar dos jovens, Ciro tomou o cartaz de uma estudante e o rasgou, chamando o grupo de manifestantes de ''babaca''.

Os professores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) deflagraram greve por tempo indeterminado na última terça-feira, 29. O movimento estudantil da Uece/Fecli e Urca de Iguatu realizava o ato para receber o governador do Estado, Cid Gomes, que estava na região para inaugurar policlínica no município de Icó.

Após o atrito, o secretário foi embora. O governador Cid Gomes chegou em seguida, em outro voo, e participou de reunião fechada com representantes do movimento, onde foram tratadas as seguintes pautas: a construção do campus multi-institucional, em Iguatu, o concurso para professor efetivo nas instituições e a greve na Uece.

Entretanto, na reunião, Cid disse que não negociava com grevistas. Sobre a obra da cidade universitária, o governador ficou de debater o tema em uma nova reunião, na próxima visita dele a Iguatu, marcada para dia 14 de novembro.

"Quando não estávamos em greve ele também não negociava. Tentamos por diversas vezes encaminhar as pautas, mas não tivemos resposta", reclama o professor e integrante do Sindicato dos Docentes da Uece, Pedro Silva, que participou da reunião com Cid Gomes. "Essa postura demonstra a atitude intransigente do governo ao diálogo. Demonstra também a forma que o governo vem tratando os professores, e que o ensino superior não é prioridade do governo", diz.

Ainda de acordo com Pedro, o governador explicou a razão para não realizar concurso para professores na UECE. "Cid disse que os professores resolveram aumentar os próprios salários e que, por isso, não tem recursos para a contratação de novos professores".

O professor fala que o objetivo da reunião era abrir um canal de negociação, porém, "a reunião não encaminhou nada".

Por essa razão, ele diz que na próxima quarta-feira, 6, deve ocorrer novo protesto em Fortaleza, saíndo da Praça da Imprensa com destino ao Palácio da Abolição e que terá como objetivo, abrir o canal de negociação com Cid Gomes. O horário ainda será confirmado.

Fonte: Último acesso em 03/10/2013

Vídeo:


USO DE POSTAGENS DO FACEBOOK NA SALA DE AULA

ATIVIDADE PROPOSTA PARA O 5º OU 6º ANO

OBJETIVOS GERAIS: 

               * Estabelecer uma reflexão linguística a partir de um texto popular. (Post do facebook)

               * Refletir criticamente sobre a variações linguísticas presente nos textos de humor e a norma culta.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

               * Propor uma análise dos termos do post buscando descobrir as palavras escritas nas quais foi mantida a oralidade.

          * Propor a refacção dos textos dos quadrinhos modificando sua escrita sem flexões de oralidade.
              * Verificar a mudança de sentidos com a nova escrita e refletir sobre a inadequação da norma culta neste caso.

MATERIAL NECESSÁRIO:

               * Data-show.

CONTEÚDO:

              * Variações linguísticas

              * Texto humorístico

ESTRATÉGIA METODOLÓGICA:

             * Inicial reflexão sobre a diferença entre língua falada e escrita (podemos escrever da forma como falamos?)

             * Reflexão sobre a importância de se compreender que para cada contexto há uma variação cabível.

             * Mostra de posts do facebook (2) com conteúdo humorístico.

             Posts iniciais:

          * Iniciar a consecução dos objetivos propostos a partir desse último post:

          * Estabelecer a leitura do post e sondar inicialmente o entendimento da piada

       * Estabelecer análise de cada frase em cada quadrinho, buscando inferir a ideia de que as falas foram escritas o mais próximo possível da oralidade.

       * Levar os alunos a perceberem a forma de escrita da seguintes palavras: "ta", "fedo", "jezuis", "morree".

       * Propor a reescrita das palavras de acordo com a norma culta, portanto: "está", "fedor", "Jesus", morrer".

       * Na imagem reproduzida pelo data-show, substituir as palavras propostas.

       * Levar os alunos à leitura e reflexão sobre o teor cômico da piada alterado pela norma culta.

     * Fazer os alunos perceberem que a norma culta é apenas mais uma variação e que portanto não pode ser considerada adequada em todos os contextos.

AVALIAÇÃO:

      * Encerrar a atividade propondo uma pequena produção textual cujo título seja: O que aprendi nessa aula


      * Espera-se  que o aluno descreva a aula e aponte como principal aprendizagem a necessidade de se reconhecer diferentes tipos de linguagem para diferentes contextos.  

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