quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Resultado de imagem para maria mariana confissões de adolescenteO primeiro beijo -Maria Mariana

  Eu era jovem, por incrível que pareça eu era jovem.Tinha talvez sete anos quando o coração bateu pela primeira vez.O nome dele era Paulo.Ele era lourinho e lindinho e a gente namorou um tempinho, o coração batia, ele para mim era simplesmente um monstro, não um Deus, como parecem ser os amados de hoje em dia. Um monstro, um monstro que morava perto da praça onde um dia eu brinquei muito. Porque depois do dia que conheci o tal menino, ir até a praça era a morte. Só  me lembro dessa angustia. As amigas querendo ir até lá brincar e eu fugindo feito louca. Sentia dor de barriga, chorava. E fazia até cocô nas calças. Com sete anos. Cocô nas calças. Hoje realmente não tenho toda esta liberdade.

  Nunca mais vi o paulo depois do dia em que minha mãe me arrastou para a festa de aniversario dele e, quando me dei conta, tinha entrado no quarto dele com mamãe: o menino estava trocando de roupa! Na mesma hora saí correndo e fui para trás das cortinas do quarto.
  Fui morar em outro lugar. E os monstros apareciam com frequência. Barra da Tijuca. Lugar de muita praia e muito vento e chuva de verão. Ninguém sabe qual é a sensação de andar de bicicleta na chuva de verão. As ruas do condomínio ficavam alagadas e a vida era uma verdadeira e maravilhosa piscina. E aí muita coisa aconteceu. Muito correio do amor, muito "pede para a Renata dizer para ele que o que a Gabi disse pra ele era mentira. Diz o que eu mandei. Tô la em casa escondida esperando ".
  E a vida era isso, brincar com o jogo do amor, sonhar com a realização e pronto. O primeiro beijo foi muito marcante, graças a Deus! Este era um assunto muito comum, comum mesmo. No dia que eu dei o primeiro beijo tive uma conversa longa e sincera com uma amiga. Debaixo de uma árvore. A gente falava...falava... e chegamos a várias conclusões. Sendo assim, naquele dia eu estava feliz, calma, segura de mim mesma, achando que entendia tudo sobre o amor, que eu era muito inteligente e minha família era perfeita. Achando que o beijo era uma bobagem e que o amor chegaria um dia... Sempre chega.
  Aquele dia era o dia ideal para me apaixonar pela primeira vez. Mas eu não sabia disso e fui para uma festa; na verdade, nem queria muito ir. Sei exatamente como estava vestida: uma blusa com o escrito Rata da Praia, rosa-fosforescente, e também um lencinho verde amarrado no pé.
  Era uma festa exatamente como qualquer outra: cinco ex-paixões, sete novas possibilidades de paixão, três grandes amigos apaixonados, dez meio-paixão, meio-amigo, meio-ex possibilidades nova. Ou seja, 25 homens interessantes! Eu dançando no meio desse harém com cara de quem não quer nada de ninguém. Dançando, olho para imagem de um menino sentado no sofá de chinelo, bermuda e cara muda. A carinha muda me olhava, olhava bastante, tremendo mole. Ele era bonito demais. Mário o nome dele. Já conhecia de ouvir falar. Ele era o monstro de uma amiga minha. Mas o monstro da amiga me olhava, e o mostro era lindo. Fui sair do salão. Passar por ele? Ai que desespero. Baixei os olhos, depois a cabeça, prendi o cabelo  molhado no alto só para estar fazendo alguma coisa com as mãos enquanto passava por aquele lugar tenso. Passei, e ele disse sem inibição: "essa menina é muito gata"! Só não sai correndo porque seria muito ridículo. Dez minutos depois uma amiga veio falar comigo:
  -Carol... sabe o Mário?
  -Sei, um loirinho bonitinho.
  -Quer ficar com você lá na piscina.
Até hoje me lembro da bochecha dele acariciando a minha.A paixão por ele tinha uma grandeza que nunca mais senti. Sentou ao meu lado e disse:
  -Quer ficar comigo?
   -Sim.
   E ele me beijou. O beijo achei muito estranho. Era bom, mas aquela língua atrapalhava um pouco.




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Maria Mariana: Nasceu no dia 15 de março de 1973, em Teresópolis, RJ. Filha única por parte de pai - mãe já tinha três filhos quando ela nasceu (dois com 9 anos e um com 8) -,cresceu mimada e tímida. Para vencer a timidez e a insegurança foi fazer teatro, incentivada pelo pai, que já trabalhava no meio teatral. Dos exercícios de representação nasceu a peça que ela e mais três amigas - Patrícia Perrone, Carol Machado e Ingrid Guimarães - criaram e representaram por muito tempo na década de 1990, Confissões de adolescente.

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